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Um ano da encíclica Laudato Si’ do papa Francisco

17-Jun-2016

 

 

Há um ano, o papa Francisco chamou a atenção do mundo ao publicar sua carta encíclica Laudato Si’. O aguardado documento destacava a necessidade urgente de cuidarmos da Terra, “nossa casa comum”, maltratada e devastada pela intervenção humana irresponsável e gananciosa. A ecologia tem papel central na encíclica. Além da dimensão econômica e sociopolítica da questão, Francisco aponta sua dimensão ética, que consiste na nossa responsabilidade para com os pobres, os mais afetados, e para com as gerações futuras, que correm riscos de sobrevivência.

 

A questão apresenta dois lados, que se complementam, mas também apontam desafios próprios. Um é o problema climático do aquecimento global, o outro é a devastação do planeta. O aquecimento global foi, em dezembro passado, o tema central da COP21, em Paris. Concordou-se que os vilões maiores do aquecimento global são os combustíveis fósseis – petróleo, carvão mineral e gás natural –, produtores da maior parte do dióxido de carbono, CO2, que, jogado na atmosfera, cria em consequência o efeito estufa. Este por sua vez produz e alimenta o aquecimento global. O papa Francisco já havia assinalado esse dado na encíclica, baseado no consenso da maioria dos cientistas da área.

 

O desafio é como progressivamente substituir a energia proveniente de material fóssil por energia limpa. Será um programa gigantesco, que a COP21 propõe à sociedade humana ser realizado sem delongas neste século XXI. O então ministro francês Fabius, à frente da COP21, o exprimiu dramaticamente quando disse: “Mais tarde, tarde demais” (plus tard, trop tard).

Quanto à devastação do planeta, os desafios são: como reverter acontaminação das águas, do ar e da terra, o desperdício de água, comida e energia, a falta de tratamento adequado de todo tipo de lixo, o desmatamento, uma agricultura e pecuária que devastam e contaminam, a falta de matas ciliares junto aos rios e nascentes, e assim por diante. A encíclica de Francisco aborda, comenta e orienta para ações concretas todo esse vasto e decisivo complexo de desafios.

 

Não é solução cuidar apenas de reverter o aquecimento global, se não se cuidar da contaminação e devastação do planeta. Igualmente, não basta cuidar do planeta, se não se cuidar do clima. Nesse contexto, e como presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, não posso deixar de ressaltar a importância da Amazônia não apenas para o Brasil, mas para o planeta. A encíclica se refere nominalmente à Amazônia e sua importância ambiental determinante, pois ela comporta e conjuga essencialmente uma gigantesca floresta tropical, o maior reservatório de água doce do mundo e a mais rica biodiversidade. Ali também vivem, sob risco, povos indígenas, populações ribeirinhas e culturas tradicionais, que dependem radicalmente desse ecossistema ameaçado.

Outra característica desta encíclica é sua visão mais sistêmica de mundo, em que há uma relação estreita entre as questões sociais e ambientais. O papa concretiza a questão afirmando que o grito da Mãe Terra e o grito do pobre são o mesmo grito. Assim como a Terra maltratada grita por socorro, do mesmo modo os pobres o fazem. Além disso, a devastação do planeta repercute preponderantemente sobre os pobres, que terão maiores dificuldades de acesso aos bens universais, como água potável e terra para cultivar.

A celebração de um ano da encíclica do papa Francisco nos lembra de como não podemos adiar o processo de mudanças para salvar o planeta. Carece mudar a forma de viver no planeta e de intervir na natureza, nos ecossistemas. Urge a necessidade de ação por parte de todos, todos os dias. No dia a dia, é necessária a colaboração de todos no sentido de um novo estilo de vida, mais simples, mais responsável, menos consumista e menos ganancioso, com coragem de mudar o mundo e proteger “a nossa casa comum” para esta geração e para as futuras.

 

A rede SDSN e a Encíclica

 

Em 2015, A Fundação Amazonas Sustentável, SDSN-Amazonia e Amazônia Para Sempre lançaram manifesto em apoio à Encíclica Laudato Si', escrita pelo Papa Francisco.

 

O documento pede atenção urgente às causas ambientais :https://www.change.org/p/sociedade-apoie-a-enc%C3%ADclica-laudato-si-do-papa-francisco-pelo-futuro-da-amaz%C3%B4nia-e-do-planeta

 

Dispoível na SDSNedu, mini-série Laudato Si: On Care for Our Common Home tem apenas 6 capítulos e fornece uma visão geral dos principais temas e mensagens de Laudato Si. Este curso não pressupõe qualquer familiaridade prévia com qualquer doutrina católica. Este curso apenas  orienta o ouvinte através da estrutura básica da encíclica, visão geral de suas bases teológicas e filosóficas e a avaliação do comportamento humano. Espera-se que este curso possa ajudar a disseminar a mensagem importante de Laudato Si 'para o mundo, e assim ajudar na implementação da agenda de suma importância o desenvolvimento sustentável.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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