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Pesquisa apresentada no Inpa sugere possível origem das arraias na bacia amazônica

27-Jun-2017


 

A busca por romper com os mitos que envolvem as arraias, repassadas de geração em geração por pescadores que residem na amazônia brasileira, despertou o interesse ainda na infância, do pesquisador e professor, Wallice Paxiúba Duncan de estudar as arraias (Potamotrygonidade) que habitam os rios da Amazônia brasileira. Sua mais recente pesquisa intitulada “Biogeografia Evolutiva e Ecofisiologia de Arraias de Água Doce (Potamotrygonidade)",que estuda a fisiologia das arraias da Amazônia, foi apresentada na segunda-feira (19) no ciclo de seminários promovidos pelo Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/INPA).


Nos rios que compõem a bacia hidrográfica amazônica, dentre tantas espécies de peixes, na tamanha biodiversidade da região, habitam quase 20 espécies de arraias. Das quais a espécie Potamotrygon leopoldi, rio Xingu, a P. wallacei no Rio Negro, P. wignata no Rio Poti/Parnaíba, P. henlei no Rio Tocantins e as espécies P. jabuti e P. albimaculata encontradas no rio Tapajós.


Essas espécies de arraias fazem parte da família Potamotrygonidae, os únicos peixes cartilaginosos em todo o planeta considerados verdadeiramente de água doce. Tais espécies formam um grupo monofilético (consiste de um agrupamento que inclui uma espécie ancestral e todas as suas espécies descendentes), que evoluíram a partir do Paleoceno-Mioceno (é a primeira época da era Cenozóica), após uma grande transgressão marinha à noroeste da América do Sul.

 

A chegada dessas espécies na região da bacia amazônia ocorreu via colonização que pode ter ocorrido a partir da foz/estuário do Paleo-Orinoco-Amazonas entre 50-23 milhões de anos atrás durante as transgressões marinhas em algum lugar nas proximidades do atual Lago Maracaibo na Venezuela.

 

 

 

Foto: Divulgação


 

A possível explicação para a chegada dos ancestrais dessas espécies pode ter sido influenciado pelo surgimento acelerado dos Andes. Essa modificação da paisagem, por sua vez, afetou também o clima e demais ecossistemas. No mês de março, a pesquisa do geólogo Pedro Val, apresentada no mesmo ciclo de seminários, levantou a hipótese de que as capturas de drenagem na Amazônia Oriental contribuíram para a biodiversidade existente na região. Não há uma explicação conclusiva sobre a evolução da paisagem amazônica e a biodiversidade na região, tratam-se apenas de hipóteses.


O interesse do pesquisador por estudar as arraias de água doce (Potamotrygonidade) surgiu ainda na infância. Nascido no interior do Pará, na comunidade São Luiz, no rio Tapajós, seu interesse em estudar a relação do homem com os bichos, levou o pesquisador a trabalhar com as arraias logo a após a conclusão do seu mestrado em ecologia no INPA. De lá pra cá, já são quase 20 anos de estudo das espécies de arraias em quase todas as grandes bacias hidrográficas sul americanas.  Para o pesquisador, sua missão em difundir o conhecimento sobre esse tipo de peixe entre os pescadores e demais moradores de comunidades ribeirinhas da amazônia brasileira vem sendo cumprido.


“Evitar a pesca negativa, que é o que se chama matar o peixe sem necessidade, foi uma das razões que me levou a estudar essas espécies. Simultaneamente, levar o conhecimento de biologia básica para os pescadores e, principalmente, aprender com eles. Além de buscar responder meus próprios questionamentos: Por que esse bicho só ocorre aqui? O que leva ele a ficar restrito à esse ambiente?. Mas muito além de meus próprios questionamentos, estava minha preocupação da relação do pescador ou ribeirinho com a arraia, do homem com o bicho. Nessa trajetória, já se passaram 20 de anos”. conta o pesquisador. 

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