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Estudo apresentado no INPA explica como as mudanças climáticas afetam a biodiversidade do planeta

14-Jul-2017

Vivemos em tempos de retrocessos em diversos campos da sociedade, no que tange ao meio ambiente, muitos seguem incrédulos quanto às mudanças climáticas. Mas enquanto muitos divergem entre crer ou o não, a natureza e toda a biodiversidade existente no planeta Terra vem emitindo sinais que nada vai tão bem quanto parece. Foi pensando em trazer à tona tal tema para discussão que a palestra “Mudanças climáticas e seu efeito na redistribuição de biodiversidade” foi apresentada na última segunda-feira (10), pela pesquisadora Érica Souza.

 

O evento foi realizado no laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM), uma realização do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em parceria com a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (SDSN Amazonia).

 

 

 Pesquisadora durante a palestra no no laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/INPA) Foto: Macarena Mairata

 

 

Desde a revolução industrial, começamos a utilizar carvão mineral, petróleo e gás natural. E no que isso resultou? Houve um aquecimento médio na temperatura da terra de 0,85 ° C globalmente, gerando mudanças nas distribuições de espécies com implicações de longo alcance para os ecossistemas globais e sociedades humanas. Apesar de opiniões de cientistas e parte da sociedade que divergem sobre as mudanças climáticas, hoje não há dúvida: as atividades humanas são os principais responsáveis pelas mudanças climáticas.

 

De acordo com estudos, o aquecimento global no século 21 é um processo bem mais rápido se comparado com as mudanças naturais que ocorreram durante os últimos 65 milhões de anos. Exemplos de mudanças documentadas e previstas sobre o clima na distribuição de espécies em todos os sistemas marinhos, terrestres e de água doce do globo em regiões tropicais, temperadas e polares são mostradas. Para Érica, às mudanças climáticas podem modificar a paisagem e isso por si só, afeta todo o ecossistema do planeta causando uma reação em cadeia em nível global.

 

“Compreendemos que certas mudanças são naturais. E que algumas delas já ocorreram durante a história natural da terra, mas sabemos que o impacto das mudanças climáticas são resultado das atividades humanas, ou seja, foram causadas pelo homem”, explica a pesquisadora.

 

As espécies são afetadas pelo clima de muitas maneiras, incluindo mudanças de alcance, mudanças na abundância relativa dentro dos intervalos de espécies e mudanças mais sutis no tempo de atividade. A distribuição de alguns peixes, por exemplo, foi modificada com a separação dos continentes, e incursões marinhas proporcionaram a “entrada” de mamíferos aquáticos de água salgada para a água doce e vice-versa.

 

Mas além dos ecossistemas, do clima que sofrem com os efeitos das mudanças climáticas, o ser humano também é afetado por elas; a saúde do homem e até a economia. Também se espera efeitos indiretos das mudanças climáticas nas redes alimentares. Por exemplo, prevê-se que a distribuição e a abundância de espécies de vertebrados que controlam as pragas das culturas diminuam nos estados europeus, onde a agricultura contribui de forma importante para o produto interno bruto. Serão necessárias mudanças na distribuição espacial da agricultura para contrariar o impacto desses efeitos diretos e indiretos combinados da mudança climática. Mudanças geográficas em dotações de recursos naturais e em sistemas de apoio à agricultura, silvicultura e pesca. Nesse jogo onde há ganhadores as custas de muita perda para muitos, os efeitos negativos dessa “progresso” provavelmente ocorrerão em países em desenvolvimento.

 

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