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Hábitos alimentares e os impactos ambientais: como as ações humanas interferem no meio ambiente

Chegamos ao dia 3 de agosto de 2017. E o que isso significa? Alcançamos o limite da capacidade de suporte do planeta! Ainda temos pela frente 150 dias para o fim do ano. 


Nossos costumes, embasados na cultura do consumo, nos fazem cotidianamente comprar, gastar e desperdiçar recursos naturais. Um bom exemplo disso é a quantidade de água utilizada diariamente nos banhos e demais atividades domésticas. Outros setores da sociedade também são responsáveis pela grande quantidade de água gasta todos os dias: a agricultura e indústria. Para que você tenha uma dimensão, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o consumo de água no mundo se divide em 22% para a Indústria, 70% agricultura e 8% com atividades domésticas. 

 

 


Quando se fala na indústria, os 22% do consumo total de água são utilizados desde os processos de incorporação da água nos produtos até a lavagem de materiais, equipamentos e instalações. E toda a água utilizada nesse processo é água limpa. Já a agricultura, consome cerca de 70% da água do mundo em atividades como irrigação e com  agrotóxicos e fertilizantes, que  carregados para os corpos d’água, causam a contaminação tanto da água superficial, quanto subterrânea.


Chegamos no contexto doméstico que consome bem menos água que a indústria e agricultura, cerca de 8%, mas que tem sua parcela de responsabilidade em todo os desperdício de água potável no mundo. Reduzir alguns minutos no banho, fechar a torneira enquanto escovar os dentes, oferecer carona e diminuir o consumo de materiais plásticos e descartáveis são algumas pequenas ações que a maioria das pessoas podem adotar para causar menos impacto no nosso planeta.


A PECUÁRIA E A AMAZÔNIA


É fato que o nosso modo de vida e escolhas influenciam diretamente o ambiente em que vivemos. Entretanto, há hábitos diários que afetam áreas que estão a milhares de quilômetros de nós, mas que são negligenciados. Comer carne é um desses hábitos.
No Brasil, apenas em 2016, foram abatidos mais de 29 milhões de cabeças de gado, 42 milhões de suínos e mais de 5 bilhões de aves. Segundo os indicadores de pecuária do IBGE, esses número fazem do Brasil o 3º maior produtor mundial de carne! Além disso, o país é também um dos que mais desperdiçam alimentos do mundo: o Brasil desperdiça 22 bilhões de calorias, o que seria suficiente para satisfazer as necessidades nutricionais de 11 milhões de pessoas e permitiria reduzir a fome em níveis inferiores de 5%, de acordo com a FAO.


A pecuária é a grande responsável pelo desmatamento na Amazônia. No ano de 2010,  uma investigação que durou três anos da ONG Greenpeace, mostrou como a parceria entre a pecuária e o governo brasileiro resulta  em desmatamento, mas também, fortalece o trabalho escravo e invasão de terras indígenas. A produção de carne bovina não é nada sustentável, pois exige grandes quantidades de recursos naturais, como áreas de pasto e água, e produzem milhões de toneladas de gás carbônico e metano, intensificando o aquecimento global.


Para ser produzido 1 kg de carne bovina, por exemplo, são necessários cerca de 15 mil litros de água. Para uma mesma quantidade de vegetais e frutas, são consumidos cerca de 320 e 960 litros de água respectivamente.  As emissões de dióxido de carbono equivalente chegam a 27 kg por quilograma de carne, sendo 2 vezes mais do que é emitido na produção de suínos, quatro vezes mais do que na produção de frango e quase 14 vezes mais do que na produção de vegetais. Assim, é necessário que sejam repensemos os nossos hábitos de consumo alimentar, buscando alimentos e meios de produção que tenham menor impacto no planeta. 


Um bom jeito de começar essa mudança, independentemente de governos, empresas ou ONGs, é diminuir o consumo de proteína animal. A campanha “Segunda Sem Carne”, lançada por Paul, Mary e Stella McCartney em 2009 e apoiada por mais de 35 países,  é um ótimo exemplo; para se ter ideia, se uma família de quatro pessoas deixa de comer carne e queijo por um único dia na semana, isso equivale em termos de emissões de carbono, no fim de um ano, a não usar um carro por um mês.


É preciso entender - e encarar - que parte das soluções dos problemas do mundo dependem de mudanças de hábitos individuais. E nós podemos fazer escolhas, relativamente simples, para diminuirmos nosso grande impacto nos recursos naturais e, assim, termos uma vida mais saudável e proteger nosso planeta.

 

Fontes:


IBGE. Indicadores IBGE: Estatística da Produção Pecuária. 2017.


BARRETO, P.; PEREIRA, R.; ARIMA, E. A Pecuária e o Desmatamento na Amazônia na Era das Mudanças Climáticas. Instituto do homem e meio ambiente da Amazônia - Imazon. 2008.


Waterfootprint Network. Water footprint of crop and animal products: a comparison. 2010.


HAMERSCHLAG, K.; VENKAT, K. Meat Eater’s Guide to Climate Change and Health. Environmental Working Group. 2011. 


FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.Perdas e desperdícios de alimentos na América Latina e no Caribe. Disponível em: http://www.fao.org/americas/noticias/ver/pt/c/239394/
 

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