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Como minimizar os acidentes causados por animais peçonhentos da Amazônia é tema de pesquisa apresentada do seminário do LEEM/INPA

1-Sep-2017

 Foto: Macarena Mairata

 

 


 

De aranhas às cobras, animais peçonhentos têm como mecanismo de defesa venenos, principalmente proteínas tóxicas; animais que despertam medo e requerem cuidado redobrado em caso de acidentes em humanos. Na Amazônia, em áreas mais distantes das cidades, quem mais sofre com picadas e mordidas desses bichos é o ser humano.
 
Foi pensando em como minimizar os males que esses animais podem causar à moradores de regiões longínquas que o professor Dr. Jorge Luis López Lozano desenvolveu a pesquisa "Diversidade molecular e aplicações de proteínas de animais peçonhentos", apresentada no seminário do laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM).O seminário ocorre todas às segundas-feiras e é uma realização do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em parceria com a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (SDSN Amazônia).
 
Espécies Elapidae
 
Na Amazônia existem aproximadamente 800 espécies de répteis que já foram identificadas. Dessas, mais de 50% são cobras, incluindo cobras corais, que são membros da família Elapidae. Ainda que raros, os acidentes que esses bichos podem causar são graves, devido à rapidez com que o quadro de envenenamento pode se instalar - levando à morte por parada respiratória. O veneno de cobras no gênero Micrurus, as cobras corais, contém uma mistura complexa de proteínas, aproximadamente 90% das quais são neurotoxinas com baixas massas moleculares.
 
A única terapêutica eficaz que  atualmente que existe no mercado para tratar pessoas picadas pelas corais é o soro antielapídico. O soro antielapídico, ou soro antipeçonhento (popularmente conhecido) é uma solução de imunoglobulinas obtidas de soro de eqüinos previamente imunizados com venenos de serpentes do gênero Micrurus. Embora o soro antielápidico é eficaz no tratamento dos acidentes elapídicos, a necessidade de ser preservado em refrigeração e as  reações indesejadas que ele pode produzir no acidentado fazem de esse produto de ser, por enquanto, impossível de ser disponibilizado em áreas carentes de refrigeração e de acompanhamento médico, principalmente em áreas rurais da Amazônia longe de centros de atendimento de saúde pública.


Segundo dados da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), no estado do Amazonas, entre os anos de 2007 a 2015, foram registrados dois mil casos por ano de picadas por cobras nas cidades de Manaus, São Gabriel da Cachoeira, Borba e Alvarães. Para o autor da pesquisa, ajudar o homem da amazônia é um grande incentivo para realizar pesquisas como essas.
 
“Criar um produto que permita minimizar os acidentes por animais peçonhentos nas áreas da Amazônia é o que me motiva. A ideia básica da pesquisa é desenvolver nanopartículas com peptídeos imunogênicos sintéticos para aplicação tópica (incluído em cremes hidratantes da pele e/ou desodorantes) cada certo período de tempo para induzir, através do sistema imune da pele, a produção de anticorpos neutralizantes  e células de memória mantendo um nível de anticorpos neutralizantes para que quando a pessoa for picada por uma serpente coral, principalmente na área rural, ter um nível de proteção que possa minimizar a toxicidade do veneno e poder ser transportado, se for necessário, ao centro de saúde mais próximo para avaliação médica. Esperamos ter esse resultado em três ou quatro anos. Temos que pensar naquele brasileiro que mora lá no final do mundo. E que muitas vezes é esquecido, mas ele é o responsável de um território de brasilidade. Nosso legado é melhorar a qualidade de vida do homem da Amazônia”, afirma o pesquisador.

 

Sobre o pesquisador
 
O pesquisador Jorge Luis López Lozano, natural do Peru, chegou no Brasil em 1992. Desde lá são mais de 20 anos de trabalho na Amazônia. Atualmente é professor do Centro Universitário do Norte - UNINORTE (Escola de Ciências da Saúde) e pesquisador do Centro de Ofidismo Professor Paulo Friedrich Bührnheim da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas.

 

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