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IV Congresso da COICA reúne no Amapá povos indígenas amazônicos e pedem por uma Amazônia viva

21-Jun-2018

O IV Congresso Amazônico organizado pela Coordenação das organizações indígenas da bacia Amazônica (COICA), teve início na segunda-feira (18) e seguirá até sexta-feira (22) na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). O evento reúne entre organizações não governamentais (ONGs), como a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável na Amazônia (SDSN-Amazônia), Instituto Socioambiental (ISA) e UN Environment (na sigla em inglês), mais de 100 indígenas dos países amazônicos que integram as organizações que compõem a COICA.

 

Mulheres indígenas reunidas no II Congresso de Mulheres Indígenas Amazônicas 2018                    Foto: Macarena Mairata

 

 

Dentre elas: Opiac (Colômbia), APA ( Guyana), Aidesep (Peru), Coiab (Brasil) Confeniae (Equador) OIS (Suriname) , Cidob (Bolivia), Foag ( Guiana Francesa) e Orpia ( Venezuela). O congresso da COICA acontece em paralelo ao evento “I Chamado dos Povos Indígenas do Amapá e norte do Pará”, organizado pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá (APOINP) em parceria com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).

 

Durante o evento, a demarcação de terras indígenas, o bem-viver e a economia verde foram os motes do congresso que teve como lema "Amazônia viva, humanidade segura". Instituições não governamentais de vários países da América do Sul e Europa estiveram no evento ouvindo e dialogando com os indígenas para encontrar soluções que findem as mazelas em comum enfrentadas pelo povos indígenas amazônicos.

 

Dentro do congresso, as mulheres indígenas também tiveram seu espaço de destaque, tendo  ocorrido o II Congresso de Mulheres Indígenas Amazônicas, realizado logo no primeiro dia do congresso que analisou a situação das mulheres indígenas dos nove países amazônicos e buscou pensar em ações que fortaleçam a atuação das mulheres indígenas nas iniciativas da COICA visando contemplá-las em suas especificidades.

 

Para a liderança indígena da Opiac (Colômbia), Carol Gonzalez Aguilar (povo cubeo), o congresso da COICA que reúne povos indígenas de toda Amazônia é importante para garantir os direitos indígenas e também das mulheres indígenas. “Este congresso representa uma oportunidade de construir uma agenda amazônica e pensar nos desafios em comuns entre os povos indígenas amazônicos. Acreditamos que se estivermos juntos e fortalecidos teremos a garantia de nossos direitos territoriais, direitos humanos e coletivos dos povos indígenas e das mulheres indígenas", afirma a liderança.

 

Agenda indígena da FAS

 

Durante o congresso da COICA, a agenda indígena da FAS promoveu o seminário  “REDD+ Amazônia e os Povos Indígenas”, que buscou reunir e aproximar lideranças indígenas de parte dos países Amazônicos para o debate sobre mecanismos de conservação de florestas e como tornar acessíveis o diálogo a respeito de temas relacionados às mudanças climáticas. O seminário  foi uma iniciativa conjunta entre a COIAB e FAS.

 

As pautas que nortearam o diálogo perpassaram os temas das mudanças climáticas (resultado do Aquecimento Global) e suas consequências, o papel do Brasil dentro do Acordo de Paris e os desafios para os povos indígenas dentro desse contexto, que em muitas situações eles se tornam reféns.

 

A liderança indígena Baré e coordenadora da Agenda Indígena da FAS, Maria Cordeiro Silva, explicou que esses dialogos com os povos indígenas nortearão os trabalhos a serem desenvolvidos pela nova agenda da FAS. “Nós estamos num momento de estruturação da agenda indígena da FAS, por isso, este seminário nos ajudará a saber quais as estratégias e diretrizes de trabalho tomar junto aos povos indígenas para que assim, possamos colaborar na conquista de seus direitos", explicou Marizinha.

 

REDD+

 

O REDD+ (redução de emissões por desmatamento e degradação mais manejo florestal sustentável) é um instrumento desenvolvido no âmbito da convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento e povos por seus resultados relacionados às atividades de boas práticas na gestão de florestas e aumento dos estoques de carbono florestal.

 

Entretanto, no Brasil, ainda faltam definições para o envolvimento pleno de todos os atores importantes para a implementação do REDD+ nos níveis nacional, regional e subnacional. Essas definições, no âmbito de governança, devem considerar reduções efetivas de desmatamento, benefícios à conservação da biodiversidade, benefícios sociais e respeito aos direitos de povos indígenas, dos agricultores familiares e das comunidades tradicionais.

 

Povos indígenas e o futuro da Amazônia

 

O superintendente geral da FAS, Virgilio Viana, participou da mesa “Povos indígenas e o futuro da Amazônia”, que abordou temas como o bem-viver e economia verde. Virgilio falou sobre a importância da COICA para os indígenas e sobre como estes podem alcançar melhores condições de vida.

 

“É preciso termos a consciência dos causadores do aquecimento global e uma posição forte para cobrar isso. Creio que COICA tem um papel fundamental nisso, de transformar a importância da florestas amazônica e dos indígenas é um activo que possa ajudar alcançar o bem-viver tão esperado”, afirmou.


 

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