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Florestas podem salvar o planeta removendo carbono da atmosfera

Você já deve estar acostumado a ouvir, ou ler, que as florestas são importantes para minimizar o impacto das mudanças climáticas no planeta, não é mesmo? Nós vamos repetir, pois agora a coisa é mais séria que o habitual: florestas podem ajudar a frear o aumento da temperatura média do planeta. Como? Removendo e armazenando o CO2 atmosférico, o que pode contribuir significativamente para alcançar o equilíbrio de carbono, o que limitaria o aumento da temperatura média do planeta em 1,5°C até 2030, em vez de 2°C, como estabelecido no Acordo Climático de Paris. A Aliança pelo Clima e Uso da Terra (a CLUA, sigla em inglês) defende que, até o momento, as florestas são o único meio comprovado que dispomos para fazer isso. Quer saber como? Siga em frente!

 

Museu da Amazônia                                                                                                                                                          Foto: Izabel Santos

 

 

A declaração veio após a divulgação de um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), no último sábado (6), que afirma que limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C exigirá mudanças de grande alcance e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade.

 

"Cada porção extra de aquecimento é importante, especialmente na medida em o aquecimento a 1,5°C ou mais aumenta o risco associado a mudanças duradouras ou irreversíveis, como a extinção de alguns ecossistemas ", disse Hans-Otto Pörtner, co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC. Ele acrescentou que a medida daria mais tempo para as pessoas e ecossistemas se adaptarem e permanecerem abaixo dos limiares de risco relevantes.

 

O relatório observa, ainda, que limitar o aquecimento global a 1,5 °C exigiria transições “rápidas e poderosas" no uso da terra, energia, indústria, planejamento urbano e transportes. O objetivo é reduzir as emissões líquidas globais de CO2 de origem humana até 2030 em cerca de 45% em comparação aos níveis de 2010, e continuar a diminuir até atingir "net zero", por volta de 2050. Isso significa que seria necessário compensar qualquer emissão remanescente por meio da retirada de CO2 da atmosfera. É aí que as árvores entram na história.

 

 

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As florestas do mundo contém mais carbono que reservas exploráveis ​​de petróleo, gás e carvão, portanto evitar as emissões de carbono florestal é tão urgente quanto interromper o uso de combustível fóssil. Segundo a organização, pesquisas recentes sugerem que, para ter uma chance de limitar o aquecimento a 1,5 °C, não podemos emitir mais de 750 bilhões de toneladas de CO2 no próximo século. O carbono em reservas fósseis prontamente exploráveis ​​poderia liberar 2,7 trilhões de toneladas de CO2 até 2100. Em comparação, as florestas armazenam carbono suficiente para liberar mais de 3 trilhões de toneladas de CO2 se destruídas. E a própria mudança climática torna as florestas mais vulneráveis, inclusive a incêndios florestais incontroláveis.

 

Além disso, as florestas atualmente removem cerca de um quarto do CO2 que os humanos adicionam à atmosfera, impedindo que as mudanças climáticas piorem ainda mais. Ao destruir as florestas, não apenas emitimos dióxido de carbono, mas também perdemos o papel que as florestas desempenham, através da fotossíntese, ao retirar o CO2 da atmosfera. Das 39 bilhões de toneladas que emitimos na atmosfera a cada ano, 28% são removidas em terra (principalmente por florestas) e cerca de um quarto pelos oceanos. O restante fica na atmosfera. Manter e melhorar a gestão das florestas existentes é uma parte crítica da mitigação das mudanças climáticas, com benefícios adicionais substanciais, incluindo a redução da poluição do ar, a proteção contra inundações e a conservação da biodiversidade.

 

Atingir a meta de 1,5 °C também requer uma restauração florestal maciça para remover o excesso de dióxido de carbono da atmosfera. O reflorestamento e o melhoramento do manejo florestal juntos têm grande potencial para remover CO2 da atmosfera. Essas “soluções naturais de clima” poderiam fornecer 18% de redução de custos até 2030.

 

A bioenergia não é a solução primária. Conseguir quantidades significativas de remoção de CO2 através do uso de madeira para energia e capturar o carbono resultante em reservatórios geológicos requer tecnologia que não foi testada em larga escala. Em algumas áreas, como florestas tropicais de alto carbono e turfeiras - que continuamente removem carbono da atmosfera - a conservação é a melhor opção. Os benefícios climáticos também podem vir do aumento do uso de madeira produzida de forma sustentável em produtos de vida mais longa, como prédios, onde a madeira pode armazenar carbono e substituir materiais que consomem muita energia, como concreto e aço.

 

As florestas tropicais resfriam o ar em torno delas e de todo o planeta, além de criar a chuva essencial para o cultivo de alimentos em suas regiões e além. As florestas em pé retiram a umidade do solo e liberam vapor d’água para a atmosfera, regulando os padrões locais, regionais e globais de precipitação e agindo como um condicionador de ar natural. Em contraste, o corte de florestas tropicais aumenta a temperatura da superfície local em até 3 °C. Esses efeitos de “regulação climática” das florestas tropicais tornam sua conservação essencial para proteger a segurança alimentar e hídrica.

 

As informações estão disponíveis na íntegra nos endereços:

http://www.climateandlandusealliance.org/scientists-statement/

http://ipcc.ch/pdf/session48/pr_181008_P48_spm_es.pdf

 

 

 

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