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Soluções Inovadoras | Conheça a Palmhaste, ferramenta que ajuda ribeirinhos da Amazônia na coleta de buriti e açaí

Melhorar a qualidade de vida dos coletores de buriti e açaí, reduzindo os acidentes de trabalho que ocorrem durante a colheita desses frutos e conciliar geração de renda, foi o que motivou a criação da ‘Palmhaste’, uma ferramenta desenvolvida por pesquisadores do Amazonas para os ribeirinhos que trabalham com essa atividade extrativista.

 Palmhaste sendo testada com o açaizeiro no campus do INPA                                                Foto: Macarena Mairata

 

 

A palmhaste é uma vara de ferro com uma foice adaptada que alcança até 18 m de altura. A ferramenta foi desenvolvida pelos pesquisadores Afonso Rabelo, Gláucio Belém e o ilustrador científico Felipe França do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTIC), instituição membro da rede SDSN-Amazônia. Foram três anos de pesquisa, até que em 2017, se chegou ao resultado final testado e aprovado por ribeirinhos que trabalham com essa atividade extrativista.

 

A palmhaste pode ser utilizada em 20 tipos de palmeiras, de frutas como o açaí-solteiro (Euterpe precatoria Martius), a bacaba (Oenocarpus bacaba Martius), bacaba-de-leque (Oenocarpus distichus Martius), buriti (Mauritia flexuosa L. f.), patauá (Oenocarpus bataua Martius) e o tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum Meyer). Mas no interior do Amazonas e nas proximidades de Manaus, vem sendo utilizada nos açaizeiros e buritizeiros, facilmente encontradas na região da amazônia e que são fonte de renda para diversas comunidades ribeirinhas. 

 

O método popular de coleta esses frutos é algo extremamente dificultoso. Por serem muito altas, chegar até a copa de um buritizeiro, por exemplo, requer subir 30 m de altura - o equivalente a um prédio de 10 andares. Na região do Amazonas e Pará é comum vermos ribeirinhos subirem nos buritizais ou açaizeiros com um utensílio popularmente conhecido como “peconha”, que nada mais é que um pano torcido, amarrado de uma ponta a outra e pôsta nos pés. Depois de subir no buritizeiro, é preciso cortar - com um facão preso nas costas, o cacho de buriti e ter o cuidado de não despencar até o chão; só depois de todo esse processo é que se saberá se os frutos estão maduros e aptos para o consumo.

 

Todo esse procedimento de coleta de buriti e açaí é rústico, árduo e perigoso pelos riscos que subir numa palmeira pode ocasionar. De fraturas na coluna ou em partes do corpo a ataques por parte de animais peçonhentos, como cobras. Por isso, além cumprir com a função de reduzir os índices de acidentes entre os trabalhadores extrativistas, a palmhaste cumpre outra função: contribui também para a coleta desses frutos sem que haja, desperdício, especificamente quando se trata do buriti (Mauritia flexuosa L.f.), pois é uma fruta delicada e de dificultosa coleta quando os frutos estão maduros.

 

Para o pesquisador Afonso Rabelo, um dos criadores da ferramenta, a Palmhaste tem a função da melhorar a qualidade de vida dos ribeirinhos em diversos âmbitos.

 

“A Palmhaste foi criada para melhorar a vida do ribeirinho em diversos âmbitos. Aqui no Amazonas, levamos a ferramenta para ribeirinhos que coletam buriti e açaí testarem, eles aprovaram por ela ser eficiente e segura. Manejar a palmhaste é fácil, só é necessário duas pessoas no manuseio da ferramenta que em três minutos é possível colher cachos de frutas de palmeiras que alcançam alturas de até 30 metros. Isso na prática evita desgaste físico e acidentes na hora da coleta,  pois o trabalhador não precisa subir na palmeira até chegar na copa. Com uma “cutucada” com a vara no cacho, se retira algum caroço da fruta e assim pode-se saber se está apta para ser colhida. No fim, todo esse processo contribui para que haja um melhor aproveitamento é um estímulo para voltar a trabalhar com essa atividade extrativista. E dessa forma, alavancar a renda das comunidades.”, explicou o pesquisador.

 

A Palmhaste é considerada uma solução inovadora para Amazônia, e por isso,  toda a pesquisa foi registrada na Plataforma de Soluções da rede SDSN -Amazônia, ferramenta que visa ser um canal de um canal difusão de novas tecnologias, modelos de negócios e políticas que tenham potencial impacto transformador no desenvolvimento sustentável da Amazônia.

 

“A Palmhaste é um exemplo de tecnologia que soluciona um problema em comum de todos os comunitários da bacia amazônica que baseiam sua alimentação e renda de frutos de palmeiras. Esta ferramenta além de ser segura e fácil de manusear, aumenta a produtividade de colheita de frutos e preserva as palmeiras, pois não precisam ser derrubadas para colher os frutos. Esta solução tem um impacto direto na renda dos comunitários e na conservação das florestas amazônicas”, afirma a gestora da Plataforma de Soluções da SDSN-Amazônia, Carolina Ramírez.

 

 

Da esquerda para direita:  Gláucio Belém, Carolina Ramírez, Felipe França e Afonso Rabelo         Foto: Macarena Mairata

 

 

Até o segundo semestre de 2019, a plataforma irá difundir mais de 1.000 casos de soluções para a Amazônia espalhados nos países que integram a Bacia Amazônica.

 

Sobre a Plataforma de Soluções

 

A Plataforma de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, tem como foco a promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, na região amazônica. Cada iniciativa disponível na plataforma está associada aos respectivos ODS.

 

A plataforma de Soluções é uma ferramenta inovadora, por ser um canal difusão de novas tecnologias, modelos de negócios e políticas que tenham potencial impacto transformador no desenvolvimento sustentável da Amazônia para aumentar e melhorar a disponibilidade de soluções de desenvolvimento sustentável que resultem de iniciativas específicas na parcela da Amazônia de cada país.

 

A plataforma de soluções possui conteúdo trilíngue (inglês, português e espanhol), e foi desenvolvida para multimídias.

 

Sobre a SDSN- Amazônia

 

A Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia (SDSN-Amazônia) foi lançada em 18 de março de 2014 na Fundação Amazonas Sustentável (FAS). A SDSN-Amazônia visa articular uma rede regional da Bacia Hidrográfica Amazônica focada em centros de conhecimento, academia, organizações da sociedade civil, instituições do setor público e privado e aspira acelerar o desenho e implementação de caminhos e soluções sustentáveis para a Amazônia.

 

Esta iniciativa faz parte da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da ONU (SDSN Global www.sdsn.org), lançada em 2012 para mobilizar o conhecimento científico e tecnológico global sobre os desafios do desenvolvimento sustentável, incluindo a concepção e implementação da agenda global de desenvolvimento sustentável pós 2015.

 

 

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