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Papo sustentável sobre 16 Dias de Ativismo reunindo diversos setores do Amazonas revela altas taxas de violência contra mulheres no estado

   Seis mulheres representando o governo, a sociedade civil e academia se reuniram no papo sustentável em menção ao Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra Mulheres realizado nesta segunda -feira (25), na sede da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em parceria com Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (SDSN Amazônia) e Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável Jovem da Amazônia (SDSN Jovem Amazônia).

 

     O cerne do debate foi conhecer o que cada setor têm feito em prol da eliminação da violência contra mulheres e meninas do estado do Amazonas. O papo sustentável temático aos 16 Dias de Ativismo, uma campanha anual e internacional promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e parceiros, contou com a participação da secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Caroline Braz; da deputada estadual (MDB), Alessandra Campêlo;  da pesquisadora de Gênero da Universidade de Brasília (UnB), dra. Marina Brito; da co- fundadora e diretora do Instituto Mana, Fernanda Alexandrino; da atleta indígena brasileira de tiro com arco, Graziela Santos e da presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB/AM, Ana Carolina Amaral. 

 

Fotos: Macarena Mairata

 

     No debate, dados do relatório "AS Mulheres no amazonas: Violência contra a mulher, gênero e desenvolvimento sustentável", desenvolvido pela pesquisadora de Gênero da Universidade de Brasília (UnB), Marina Brito, mostraram que a violência contra a mulher é um dos principais problemas enfrentados pelas mulheres da região norte do país, sendo do Amazonas, o 7º lugar no ranking de taxas de homicídio de mulheres no país. 

 

     Além desses dados, o relatório revela que a taxa de boletins de ocorrência (B.O) registrando violência contra a mulher no Brasil são de 74,7 por 100 mil habitantes, mas no Amazonas esse número é de cerca de sete vezes mais, de 501,5 segundo o Painel Observatório da Mulher contra Violência (Painel OMV, 2016). Outras formas de violência no relatório também mostram que as mulheres nas comunidades ribeirinhas sofrem outros tipos de violência; dificuldade ou sendo cerceadas de alguns direitos básicos que vão do acesso à educação, aos processos de tomada de decisão comunitária sobre destinação de recursos e como resultado, não tendo acesso à programas de promoção de renda.

 

   Para a pesquisadora as políticas para mulheres no estado são delimitadas por território e temática, o que acaba não alcançando todas as formas de violência que atingem mulheres negras, indígenas e as do campo. 

 

   “A maior parte dos serviços e políticas públicas voltadas para as mulheres estão concentradas e são executadas em Manaus. Além dessa delimitação territorial, os temas dessas políticas são de enfrentamento à violência contra a mulher.  É preciso refletir em políticas que invistam em diagnósticos sobre como as questões de gênero afetam as relações entre mulheres e homens para que haja a distribuição justa e equitativa de benefícios, empoderando financeiramente as mulheres não só nas comunidades, mas em Manaus. Também é preciso pensar na interiorização dessas políticas e desenvolver, também, políticas interseccionais (raça e comunidade LGBTT, principalmente).”

 

   A secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Caroline Braz falou acerca das ações voltadas para mulheres indígenas e das ações que passaram realizadas para mulheres do interior do Amazonas.

 

  “O lançamento neste ano da rede de Enfrentamento à Violência Contra Mulher, em Itacoatiara, foi um importante avanço para as mulheres do Amazonas. Antes, todas as políticas e serviços eram voltadas somente para as mulheres da capital. Hoje, com os Samics (Serviço de Apoio a Mulheres, Idosos e Crianças), nós passamos a fomentar as ações junto às mulheres camponesas, onde até então, o poder público não havia chegado”. 

   

   Para a coordenadora do evento, Letícia Cortellazzi, debates buscam despertar reflexões para que se criem políticas que atendam a todas as necessidades das mulheres. “Eventos como estes são importantíssimos para a construção de políticas que atendam as necessidade de todas as mulheres. Precisamos pensar que cada mulher tem suas especificidades, das indígenas às camponesas, as mulheres urbanas, as negras e as mulheres trans. Todas precisam serem ouvidas e atendidas. Este é um espaço rico, plural e que busca caminhar para uma sociedade onde todos se sintam parte dele.”disse Letícia.

 

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