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Seminário virtual apresenta estratégias para conter o avanço da Covid-19 na Amazônia

3-Jul-2020

 

Em meio à pandemia de Covid-19, diversas organizações locais e globais têm unido esforços para minimizar os impactos do avanço do novo coronavírus na região pan-amazônica. Algumas dessas iniciativas foram apresentadas, nesta quinta-feira (30), durante o webinar “Estratégias para o enfrentamento à Covid-19 na Pan-Amazônia”, realizado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (SDSN Amazônia) e Fundação Amazonas Sustentável (FAS).

 

Mais de 40 pessoas participaram do seminário virtual que reuniu especialistas do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru para compartilhar boas práticas, soluções e projetos que estão contribuindo para a contenção e mitigação da pandemia na região.

 

Dados da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) apontam mais de 432 mil casos confirmados e 13.875 mortes pela doença. Se o cenário já é crítico para quem vive nos grandes centros urbanos, fica ainda mais complexo para as populações tradicionais e comunidades indígenas, particularmente vulneráveis devido ao seu isolamento e acesso limitado à cuidados médicos.

 

Para o superintendente geral da FAS e mediador do evento, Virgilio Viana, é imprescindível repensar o sistema de saúde pública nas comunidades e aldeias. “A realidade da Covid-19 é extremamente ilustrativa da importância de fazermos isso. Sabíamos que o sistema de saúde pública nessas localidades era deficiente, mas isso talvez não tivesse sido escancarado de uma maneira tão clara e contundente como está sendo nessa pandemia. Diante da constatação de que esse sistema não é adequado, não dá conta da diversidade cultural, das especificidades e das condições de logística, é preciso repensá-lo”, disse.

 

Ainda no campo das políticas públicas de saúde indígena, a valorização dos conhecimentos tradicionais dos povos originários também foi uma das necessidades levantadas durante o primeiro painel do seminário, dedicado a discutir a situação atual e desafios para o enfrentamento da Covid-19 na Amazônia.

 

Segundo a líder do Foro Social Panamazónico (Bolívia), Doris Dominguez, as comunidades indígenas e tradicionais estão recorrendo aos produtos da floresta como fonte de tratamento e prevenção. “Estamos combatendo a pandemia com os meios naturais, com o que nos é dado pela natureza, pela nossa Amazônia”, afirmou.

 

Para a diretora do Programa de Biodiversidade e Povos Indígenas da Sociedade Peruana de Direito Ambiental – SPDA (Peru), Silvana Baldovino Beas, é importante avançar no reconhecimento e repartição de benefícios destes conhecimentos. “Ver como geramos, através deles, melhores condições de vida para essas comunidades e povos originários”, concluiu.

 

Cooperação internacional

 

Diante da ameaça do novo coronavírus, que põe em risco 34 milhões de habitantes e mais de 350 comunidades indígenas e tradicionais, mobilizar uma cooperação internacional entre os países da Bacia Amazônica pode representar uma solução potencial para os problemas do presente e do futuro. O tema foi destaque durante o seminário, que debateu ideias para a criação de uma espécie de rede ou comitê de intercâmbio entre as instituições panamazônicas, com participação equilibrada dos países envolvidos.

 

“É necessário pensar de maneira específica como podemos hierarquizar, nessa tríplice fronteira, os temas associados à saúde. Isso quer dizer fortalecer os serviços de saúde e prestar uma melhor ajuda entre os países”, pontuou a diretora do Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas SINCHI (Colômbia), Luz Marina Mantilla.

 

O diretor do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Sérgio Luiz Bessa Luz, enfatizou que neste contexto epidemiológico é preciso olhar para a Amazônia como um único território. “Temos que trabalhar os problemas de saúde de uma única forma. Não podemos ter a Colômbia trabalhando com informações de saúde de um jeito, nós do Brasil trabalhando de outro, e o Peru de outra forma. Precisamos ter uma base integrada de dados para melhor compreensão dos perfis epidemiológicos que acontecem na região”, explicou.

 

Estratégias e soluções

 

O debate sobre colaboração e trabalho conjunto entre organizações teve continuidade no segundo painel do webinar, dedicado a apresentar estratégias e soluções que estão contribuindo para a contenção e mitigação da pandemia.

 

Uma das iniciativas que ganhou destaque foi a Aliança dos Povos Indígenas e Populações Tradicionais e Organizações Parcerias do Amazonas para o Enfrentamento do Coronavírus, coordenada pela FAS. Mais de 38 mil pessoas de comunidades ribeirinhas, indígenas e isoladas, além de bairros periféricos de Manaus, já foram beneficiadas com as ações da Aliança, que envolve a participação de 86 parceiros, entre instituições públicas e privadas, empresas e prefeituras.

 

“Uma lição que tiramos desse momento é que não fazemos nada sozinhos. Juntos, somos muito mais fortes. Estamos aprendendo com a Aliança que todas as organizações têm um papel muito importante”, disse a superintendente de Desenvolvimento Sustentável da FAS, Valcleia Solidade.

 

Para a representante do Hivos (Equador), Carolina Zambrano Barragán, as organizações da sociedade civil devem utilizar a crise para aumentar a colaboração e trabalhar em uma atuação com enfoque a longo prazo. “É preciso manter um olhar mais sistêmico da interrelação entre todos os fatores e problemas que estamos enfrentando. E que qualquer solução que propusemos possa ser sustentável no tempo, para além das necessidades imediatas. Compreendemos a necessidade, por exemplo, de kits de alimento e de higiene. Entretanto, temos a responsabilidade também de, além de destinar parte dos recursos para resolver essas demandas urgentes, concentrarmos em necessidades mais estratégicas e deixarmos um sistema de saúde que possa responder à Covid-19 e outras enfermidades, da comunidade para a comunidade”, destacou.

 

Outro fator abordado foi o engajamento das universidades para desenvolver soluções. O vice-reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cleto Cavalcante de Souza Leal, compartilhou as ações realizadas pela instituição, com apoio voluntário de estudantes e professores, além de parcerias com o setor privado.

 

Uma das principais frentes de atuação da UEA durante a pandemia é o programa de telessaúde, que disponibiliza de forma online orientação clínica, capacitação e apoio aos profissionais de saúde de 62 municípios e seis aldeias indígenas. “Essa tem sido uma ferramenta poderosa para fazer treinamentos e chegar atendimento às comunidades indígenas e ribeirinhas”, disse Leal.

 

Em parceria com a Aliança e a FAS, o sistema da UEA tem garantido grandes avanços na atenção básica de saúde em regiões remotas. Desde maio, os profissionais que atuam através da Aliança já atenderam mais de 180 casos suspeitos de coronavírus em comunidades ribeirinhas do Amazonas, dos quais 31 foram assistidos via telemedicina.

 

Confira na íntegra:

 

 

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