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Iniciativas promovem acesso à água e conservação de ecossistemas aquáticos na Amazônia

Soluções desenvolvidas por organizações membro da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (SDSN Amazônia) foram apresentadas em café virtual sobre água



Lavar as mãos com água e sabão é um hábito simples, que ganhou uma importância enorme durante a pandemia da Covid-19. Para quem vive nas grandes cidades, basta abrir a torneira e pronto. No entanto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 35 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada no país. As comunidades indígenas e tradicionais da Amazônia, região banhada por rios, estão entre as mais afetadas pela falta de água e saneamento básico. Além da saúde, a ausência desse serviço essencial afeta a qualidade de vida, a produtividade e o bem-estar dessas populações.


Para debater o assunto, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (SDSN Amazônia), secretariada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), realizou um café virtual reunindo representantes de soluções que estão sendo implementadas com sucesso na Bacia Amazônica, demonstrando que é possível superar os desafios existentes e garantir o abastecimento das comunidades da região, além de promover a conservação de ecossistemas aquáticos.


Entre as soluções, está o programa “Água + Acesso”, uma iniciativa de impacto coletivo empreendida por uma aliança inédita formada por empresas, institutos e organizações da sociedade civil de diferentes setores, que atuam com projetos e ações integradas para ampliar o acesso à água segura e de forma sustentável em áreas rurais de todo o Brasil.


No Amazonas, coordenada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), a aliança já levou água tratada por meio de soluções inovadoras e autossustentáveis para diversas comunidades distantes, a maioria sem rede elétrica, beneficiando mais de 550 famílias. “Não existe escassez de água, o que não existe é água potável para essas populações utilizarem. Nossas estradas são os rios. A água passa em frente à casa desses moradores, mas ela não é adequada para o consumo por vários aspectos, como a falta de saneamento”, explicou a superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da FAS, Valcléia Solidade.


Em comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, a 173 quilômetros de Manaus, os novos sistemas de abastecimento e tratamento implantados pelo programa já reduziram em 70% o número de famílias que declararam incidência de doenças relacionadas à água – um exemplo da importância da construção e manutenção de infraestruturas que garantam esse serviço, especialmente para as populações mais vulneráveis.


Mas, segundo Valcléia, os benefícios vão muito além da prevenção de doenças. O acesso à água tratada também garante qualidade de vida e geração de renda para as comunidades. “Nessas comunidades, tem todo um sistema produtivo que depende da água. Hoje, por exemplo, na maioria dos municípios, as comunidades já podem fornecer merenda escolar com os produtos da biodiversidade, mas elas precisam de um parâmetro. Então, imagine um lugar onde tem muito açaí, mas não tem água apropriada para fazer o preparo e levar um alimento seguro para a comunidade. Isso também está ligado à geração de renda”, afirmou.


Conservação das Bacias Sagradas


Além do programa “Água + Acesso”, o café virtual da rede SDSN Amazônia destacou o projeto “Bacias Sagradas, Territórios para a Vida”, desenvolvido pela Fundação Pachamama, em parceria com outras organizações. A iniciativa é voltada para a proteção permanente das bacias dos rios Napo, Pastaza e Marañón, no Equador e Peru.


A região, conhecida como Bacias Sagradas da Amazônia, é formada por territórios ancestrais de aproximadamente 35 nacionalidades e povos indígenas, adjacentes a uma série de áreas protegidas, formando um vasto mosaico que contém o ecossistema terrestre de maior biodiversidade do planeta. No entanto, ela enfrenta um risco crônico devido à expansão da fronteira extrativista e das atividades industriais nesses territórios.


Para mitigar essas ameaças, o projeto “Bacias Sagradas, Territórios para a Vida” está construindo uma visão compartilhada entre os povos indígenas, organizações não governamentais, comunidade filantrópica, empresários locais e governos para o estabelecimento de uma região protegida binacional e governada de acordo com os princípios indígenas tradicionais de cooperação e harmonia.


“A iniciativa está no Equador e no Peru, e o grande objetivo é conservar 35 milhões de hectares de floresta tropical e as bacias dos rios Napo, Pastaza e Marañón, que são casa de territórios indígenas de mais de 35 povos e nacionalidades”, explicou a diretora executiva da fundação, María Belén Páez. Segundo ela, o projeto oferece um modelo que pode inspirar outras iniciativas com grande potencial para ganhar escala. “Criar, por exemplo, não apenas áreas protegidas, ou pontos de água e bacias hídricas protegidas, mas um sistema fluvial amazônico que tenha as mais altas categorias de proteção à médio e longo prazo”, projetou.


Série de eventos


A SDSN Amazônia é uma rede vinculada à ONU e secretariada pela FAS que visa integrar os países da Bacia Amazônica, engajando universidades, organizações não governamentais, centros de pesquisa, instituições governamentais e privadas, organizações multilaterais e sociedade civil para promover a resolução prática de problemas para o desenvolvimento sustentável da região.


A rede está promovendo uma série de eventos sobre “Soluções para Amazônia”, com o formato de café virtual: um bate-papo descontraído, com espaço para interação entre os participantes e os convidados. O objetivo da iniciativa é reunir os principais idealizadores de soluções para o desenvolvimento sustentável da Amazônia em cinco cafés virtuais, que serão realizados ao longo do ano. O próximo evento está marcado para o dia 25 de maio. Em breve, mais informações sobre as inscrições serão divulgadas.

Confira o café virtual "Soluções para Amazônia: Água" na íntegra:


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